02/06/2016

Oração feita pelo Gúbio, no livro Libertação – André Luiz


–  “Senhor Jesus! Nosso Divino Amigo...
 Há sempre quem peça pelos perseguidos, mas raros se lembram de auxiliar os perseguidores!
 Em toda parte, ouvimos rogativas em benefício dos que obedecem, entretanto, é difícil surpreendermos uma súplica em favor dos que administram.
 Há muitos que rogam pelos fracos para que sejam, a tempo, socorridos; no entanto, raríssimos corações imploram concurso divino para os fortes, a fim de que sejam bem conduzidos.
 Senhor, tua justiça não falha.
 Conheces aquele que fere e aquele que é ferido.
 Não julgas pelo padrão de nossos desejos caprichosos, porque o teu amor é perfeito e infinito...
 Nunca te inclinaste tão somente para os cegos, doentes e desalentados da sorte, porque amparas, na hora justa, os que causam a cegueira, a enfermidade e o desânimo...
  Se salvas, em verdade, as vítimas do mal, buscas, igualmente, os pecadores, os infiéis e os injustos.
 Não menoscabaste a jactância dos doutores e conversaste amorosamente com eles no templo de Jerusalém.
 Não condenaste os afortunados e, sim, abençoaste-lhes as obras úteis.
 Em casa de Simão, o fariseu orgulhoso, não desprezaste a mulher transviada, ajudaste-a com fraternas mãos.
 Não desamparaste os malfeitores, aceitaste a companhia de dois ladrões, no dia da cruz.
 Se Tu, Mestre, o Mensageiro imaculado, assim procedeste na Terra, quem somos nós, Espíritos endividados, para amaldiçoarmo-nos, uns aos outros?
 Acende em nós a claridade dum entendimento novo! Auxilia-nos a interpretar as dores do próximo por nossas próprias dores.
 Quando atormentados, faze-nos sentir as dificuldades daqueles que nos atormentam para que saibamos vencer os obstáculos em teu nome.
 Misericordioso amigo, não nos deixe, sem rumo, relegados à limitação dos nossos próprios sentimentos...
 Acrescenta-nos a fé vacilante, descortina-nos as raízes comuns da vida, a fim de compreendermos, finalmente, que somos irmãos uns dos outros.
 Ensina-nos que não existe outra lei, fora do sacrifício, que nos possa facultar o anelado crescimento para os mundos divinos.
 Impele-nos à compreensão do drama redentor a que nos achamos vinculados.
  Ajuda-nos a converter o ódio em amor, porque não sabemos, em nossa condição de inferioridade, senão transformar o amor em ódio, quando os teus desígnios se modificam, a nosso respeito.
 Temos o coração chagado e os pés feridos na longa marcha, através das incompreensões que nos são próprias, e nossa mente, por isto, aspira ao clima da verdadeira paz, com a mesma aflição por que o viajor extenuado no deserto anseia por água pura.
 Senhor, infunde-nos o dom de nos ampararmos mutuamente.
Beneficiaste os que não creram em Ti, protegeste os que te não compreenderam, ressurgiste para os discípulos que te fugiram, legaste o tesouro do conhecimento divino aos que te crucificaram e esqueceram...
 Por que razão, nós outros, míseros vermes do lodo ante uma estrela celeste, quando comparados contigo, recearíamos estender dadivosas mãos aos que nos não entendem ainda?...
– É para eles, Senhor, para os que repousam aqui em densas sombras, que te suplicamos a bênção!
Desata-os, Mestre da caridade e da compaixão, liberta-os para que se equilibrem e se reconheçam...
Ajuda-os a se aprimorarem nas emoções do amor santificante, olvidando as paixões inferiores para sempre.
Possam eles sentir-te o desvelado carinho, porque também te amam e te buscam, inconscientemente, embora permaneçam supliciados no vale fundo de sentimentos escuros e degradantes.”

(Cida)

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